Em meio a mudanças de paradigmas entre indústrias e consumidores, o coronavírus chega para promovê-las ainda mais, de modo a intensificá-las ou modificá-las. Mesmo que a incerteza ainda esteja no ar, já se verifica um movimento da troca do seminovo por um mais em conta, para se fazer caixa.

A conclusão veio por meio do debate promovido pela Anfavea , entre o presidente da associação, Luíz Carlos Moraes, o CEO da Webmotors, Eduardo Jurcevic, o líder para a indústria automotiva da KPMG , Ricardo Bacellar, e o chefe da indústria da mobilidade do Google, Gustavo Pena.

Além disso, os especialistas concordam que, por conta da aversão ao transporte público que aflorou com a pandemia, a tendência é do consumidor demonstrar maior interesse em ter um automóvel ou moto, o que poderia favorecer a venda dos seminovos e usados, assim como dos chamados modelos de entrada. Por outro lado, o presidente da Anfavea segue precavido na tentativa de adivinhar qual será o perfil definitivo do consumidor e o real déficit gerado pela crise, a maior já vivida pelo setor no Brasil.

“Estamos tentando entender a cabeça e o bolso do consumidor para ver como trabalhar os novos portfólios de produtos”, comentou o executivo, que também falou da questão financeira do próprio setor. “Por questão de sobrevivência, temos de redefinir prioridades. É um momento de revisão total dos investimentos da indústria automotiva , principalmente no Brasil”.

Com base nos dados da Webmotors, Jurcevic falou sobre o movimento de troca de um veículo mais novo por um mais usado por parte de quem está precisando embolsar algum dinheiro. “Vemos isso claramente na plataforma. Quem tem um automóvel com até dois anos de uso está optando por um modelo mais antigo”, comentou o CEO da Webmotors .

O tema também foi abordado por Pena, do Google, para quem esse processo pode abranger também a troca de um carro mais sofisticado por um modelo de entrada, com o intuito de reforçar o caixa do consumidor. Entretanto, o outro extremo também se verifica, conforme lembra na live.

“Tem também a contrapartida, a do consumidor que, justamente por causa da pandemia, resolve satisfazer um desejo antigo sonho e parte para um modelo mais caro. Mas isso, apesar de um nicho importante, representa volume pequeno”, comentou Pena.

Como se não bastasse, Gustavo reforça que a rede deve, cada vez mais, reforçar os seus canais digitais de compra e venda de carros, uma vez que o consumidor já tem o perfil de negociar remotamente. Segundo ele, já era uma realidade, mas agora com a pandemia, isso se intensificou bastante.

Modificações nas mudanças de paradigmas

Outro tema abordado foi a chegada de carros elétricos, autônomos e os compartilhados. Luíz, da Anfavea, diz que os paradigmas para o uso dos compartilhamentos, antes forte tendência, deverão ser revistos para que não “nasçam mortos”, uma vez que partilham da mesma aversão que afeta os transportes públicos, devido às preocupações dos consumidores acerca da higiene.

Quanto aos eletrificados e autônomos, o mesmo especialista diz que, na Europa, seguem em desenvolvimento sem grandes mudanças, uma vez que já estavam em patamares avançados de criação e implementação, bem como as normas de emissões e outras, bastante rigorosas, praticamente obrigam que surjam. Quanto ao Brasil e até nos EUA, por outro lado, os carros do futuro devem atrasar mais, tal como os demais lançamentos e previsões.

O consenso entre os participantes é o receio atual de fazer negócios. Como lembrou o presidente da Anfavea , de um lado tem o aumento do desemprego e, do outro, o receio de perder o emprego. Sem contar que os bancos subiram os juros por receito de alta na inadimplência. “Tudo isso estamos tentando entender, para ver como vamos trabalhar nosso portfólio”. Barcellar, por sua vez, falou da tendência do processo de parcerias, fusões e aquisições, como forma de diluir os necessários investimentos futuros no setor, ser intensificado.

Fonte: Carros.ig.com.br

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