A violência no Brasil sempre foi um fator de preocupação para os motoristas, ainda mais quando o roubo de carros é um dos crimes mais comuns nos grandes centros, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo. Isso leva a população a tentar se proteger de todas as formas, e uma delas é a blindagem do veículo.

Mas esse não é um procedimento barato, podendo custar de R$ 30 mil a R$ 80 mil, dependendo do carro e do tipo de blindagem escolhida. Por isso, uma opção é comprar carros usados ou seminovos já com essa proteção, o que pode acabar sendo bom para o seu bolso. E não, você não está vendo coisas: eles são realmente mais baratos do que versões convencionais.

Olhando veículos mais novos (como modelos 2018/2019), essa diferença não é tão significativa, já que a blindagem agrega valor a esses carros.

Mas outros modelos com 5 ou 6 anos de estrada já começam a ter os valores mais discrepantes, como mostram buscas nos principais sites de compra e venda de veículos na internet.

A maior diferença de preço encontrada foi de R$ 44 mil para um Hyundai Santa Fe (R$ 74.900 com blindagem e R$ 118.900 sem blindagem), seguido por R$ 41 mil para o Dodge Durango (R$ 149.000 com blindagem e R$ 190.000 sem blindagem) e R$ 36 mil em um Land Rover Range Rover Evoque (R$ 124.900 com blindagem e R$ 160.000 sem blindagem).

Por fim, o Volkswagen Tiguan registrou R$ 9 mil de diferença (R$ 48.000 com blindagem e R$ 57.900 pela versão convencional) e o Toyota Corolla teve R$ 8.100 (R$ 65.800 com blindagem e R$ 73.900 sem).

Isso acontece por alguns motivos, como explica Floriano Guimarães, consultor comercial GR Blindados. “A procura por veículos blindados é muito segmentada. Às vezes a pessoa não tem um poder aquisitivo tão grande para comprar um carro zero e colocar a blindagem. Vale mais pegar um que já tenha essa proteção, mas não tanto apelo comercial”, afirma.

Essa proteção gera um acréscimo de peso no carro, o que pode acabar desgastando partes como amortecedores e pneus. Isso encurta o tempo entre uma revisão e outra e aumenta o número de manutenções ao longo da vida útil do veículo.

Também existe um certo estigma em torno dos carros blindados, já que é uma intervenção que desmonta boa parte do veículo para instalar a proteção. Esse problema é superado quando a blindadora é de confiança e certificada, sendo que as garantias oferecidas pelo mercado chegam de 3 a 10 anos.

“O maior problema mesmo é o peso extra. Em um sedã médio, por exemplo, chega a somar 180 kg. São três pessoas magras a mais de carga pra considerar no seu consumo. De resto, não tem qualquer maior alteração estrutural, no câmbio ou no motor”, diz Floriano.

Para a empresa de vistoria automotiva Super Visão, o que influencia mais é a relação entre o peso e a potência do veículo. Carros com um torque maior, por exemplo, não terão tantos problemas de desempenho.

Para não correr riscos na hora de comprar um usado blindado, a dica principal é olhar as partes mais visíveis dessa proteção, como as janelas. Elas recebem diversas lâminas que, com o tempo e sem manutenção adequada, podem formar bolhas e desgrudar as camadas de vidro.

Esse processo é chamado de delaminação e demanda a troca completa do vidro, parte mais cara da blindagem. Antigamente era feita uma nova cura no componente em uma máquina chamada de autoclave, mas esse processo foi proibido no Brasil por não garantir a integridade original da janela.

Mesmo com a obrigatoriedade de vistoria para a transferência do veículo, é adequado levar um especialista ou mecânico de confiança para checar as condições dos demais componentes do carro antes de fechar negócio.

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